21 de outubro de 2019

O óleo que castiga e polui as praias do Nordeste (por PIÚTA)

Alexandre Piúta


Há um mês as praias do Nordeste viram o início das manchas de petróleo bruto, tipo piche, chegando no litoral. Primeiro nos estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe, se alastrou e agora atinge uma faixa do litoral de mais de 2 mil Km, do Norte da Bahia até o Maranhão. A contabilidade revela que já são mais 60 municípios e 162 localidades afetadas em toda a costa. Até agora já são mais de 100 toneladas de piche retiradas das praias do Nordeste.

Neste fim de semana a cena que continua assuntando teve palco nas principais praias de Pernambuco: porto de Galinhas, Carneiro, Reserva do Paiva e toda aquela região. A cena de moradores tentando remover o Piche que polui é chocante. Enquanto isso, pouco se tem visto dos governos dos estados afetados sobre a situação ou cobrando medidas para esclarecer o que tem ocorrido.

Nessas horas são comuns as respostas apressadas e desencontradas, tudo na perspectiva de apresentar uma justificativa para medidas que deviam ter sido tomadas antes de o fato acontecer. A sociedade descobre de uma hora para outra que o óleo tem DNA. 

O governo se apressa em dizer que o óleo tem origem em país com quem ele não se bica. Enfim... buscam num emaranha de mais de 150 navios que cruzaram a nossa costa, sem maiores controles, encontrar o aquele deu causa ao acidente.

O combate ao desastre, por sua vez, fica a desejar. Autoridades governamentais e especialistas centram a energia em encontrar o culpado, em vez de focar na solução. 

O ministro do meio ambiente de forma inábil se apressa em dizer que o óleo tem origem na Venezuela, declarações que não se sustem nem por 24 horas, quando barris da mesma borra chegam às praias de Sergipe e, nestes constam o nome, origem e data de envasamento do óleo contido no barril perdido, similar ao que polui as nossas praias.
O aparecimento dos barris leva a empresa Shell (consórcio holandês e inglês) a se posicionar dizendo que não têm responsabilidade com o material encontrado. Surge, por fim, a tese de que pode ter sido navio pirata o culpado pela derrama de óleo que poluem as nossas praias.

De tudo que temos visto, fica a constatação de que nossas autoridades continuam agindo de forma desorganizada quando o caso pede resposta e ação imediata. 

O governo demorou a agir e medidas não foram tomadas, ao ponto de a mancha se alastrar por todo o litoral, chegando até à foz do Rio São Francisco. O amadorismo é reinante para enfrentar questões como o derrame que polui as praias do Nordeste há um mês.

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