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Alexandre Piúta |
Há um mês as
praias do Nordeste viram o início das manchas de petróleo bruto, tipo piche,
chegando no litoral. Primeiro nos estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe, se
alastrou e agora atinge uma faixa do litoral de mais de 2 mil Km, do Norte da
Bahia até o Maranhão. A contabilidade revela que já são mais 60 municípios e
162 localidades afetadas em toda a costa. Até agora já são mais de 100
toneladas de piche retiradas das praias do Nordeste.
Neste fim de
semana a cena que continua assuntando teve palco nas principais praias de
Pernambuco: porto de Galinhas, Carneiro, Reserva do Paiva e toda aquela região.
A cena de moradores tentando remover o Piche que polui é chocante. Enquanto
isso, pouco se tem visto dos governos dos estados afetados sobre a situação ou
cobrando medidas para esclarecer o que tem ocorrido.
Nessas horas
são comuns as respostas apressadas e desencontradas, tudo na perspectiva de
apresentar uma justificativa para medidas que deviam ter sido tomadas antes de
o fato acontecer. A sociedade descobre de uma hora para outra que o óleo tem
DNA.
O governo se apressa em dizer que o óleo tem origem em país com quem ele
não se bica. Enfim... buscam num emaranha de mais de 150 navios que cruzaram a
nossa costa, sem maiores controles, encontrar o aquele deu causa ao acidente.
O combate ao
desastre, por sua vez, fica a desejar. Autoridades governamentais e
especialistas centram a energia em encontrar o culpado, em vez de focar na
solução.
O ministro do meio ambiente de forma inábil se apressa em dizer que o
óleo tem origem na Venezuela, declarações que não se sustem nem por 24 horas,
quando barris da mesma borra chegam às praias de Sergipe e, nestes constam o
nome, origem e data de envasamento do óleo contido no barril perdido, similar
ao que polui as nossas praias.
O aparecimento
dos barris leva a empresa Shell (consórcio holandês e inglês) a se posicionar
dizendo que não têm responsabilidade com o material encontrado. Surge, por fim,
a tese de que pode ter sido navio pirata o culpado pela derrama de óleo que
poluem as nossas praias.
De tudo que
temos visto, fica a constatação de que nossas autoridades continuam agindo de
forma desorganizada quando o caso pede resposta e ação imediata.
O governo
demorou a agir e medidas não foram tomadas, ao ponto de a mancha se alastrar
por todo o litoral, chegando até à foz do Rio São Francisco. O amadorismo é reinante
para enfrentar questões como o derrame que polui as praias do Nordeste há um
mês.
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