ALEXANDRE TENÓRIO - ESCRITOR |
ZÉ ROUCO
Morreu a
semana passada Zé Rouco, ele é um dos personagens do meu livro “A TENDA DE ZÉ
BIAS”.
Zé Rouco era
donzelo por convicção, preferia morrer na poçoca que praticar sexo. Sexo seguro
para ele era morrer na gloriosa, cinco contra um. E viveu alegre e satisfeito
até quando deus lhe levou.
Baixinho,
voz rouca, cor morena claro, desde que conheci Zé Rouco, a fisionomia dele era
a mesma, parece que plastificaram Zé Rouco, ficou ali e ali chegou aos seus
últimos dias de vida, com a mesma cara. Usava invariavelmente um chapéu de
nylon na cabeça, e o deixava de lado, feito chapéu de malandro.
Contou-me
Valfrido Curvelo, que certa feita chega Zé Rouco as 7 horas da manhã de um
domingo em sua casa, querendo o olho da goiaba branca que era para um remédio
para sua mãe que estava numa caganeira danada, e ensinaram que o chá do olho da
goiaba branca era o ideal para parar com a caganeira.
Valfrido,
tinha farrado na noite anterior e foi dormir tarde da noite, e não se acordou
com muito bom humor, ao ouvir a proposta de Zé Rouco disse – Zé eu só tenho
goiaba vermelha, serve – Zé Rouco prontamente diz que só serve o olho da goiaba
branca – Valfrido então diz que quem tem goiaba branca é Jocelino Carvalho, e
despacha Zé Rouco para lá e não sabe do resultado.
Certa feita
estava Valfrido em casa quando chega Zé Rouco, querendo que Valfrido vá para o
terreno dele pegar canário, pois ele quer porque quer um canário, Valfrido não
teve conversa se desculpou por não poder ir pegar canário com ele, e disse que
quem tinha uns canários para dar era Antônio Fernandes.
Meus amigos,
Antônio Fernandes era um criador de canário belga de alta linhagem, e os seus
canários eram caro, imaginem Zé Rouco chegando na casa de Antônio Fernandes
pedindo um canário de graça. Para quem não conhece Antônio Fernandes, ele é
brabo que nem siri numa lata, pega ar com facilidade, eu imagino qual foi a
resposta que Antônio Fernandes deu a Zé Rouco. Esta foi uma grande sacanagem
que Valfrido Curvelo fez com ele.
Vai nestas
poucas linhas, minha homenagem a este bom-conselhense que viveu por mais de 85
anos em nossa cidade. Quem quiser conhecer outras histórias de Zé Rouco compre
o livro A TENDA DE ZÉ BIAS.
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